Tradicionalíssimo Abril Pro Rock e o No Ar: Coquetel Molotov ainda não sabem qual modelo adotarão este ano
Da Redação
E 2010 começou. Junto iniciaram-se também as apostas e expectativas para o calendário pop que o ano reserva. Começando pelo mais tradicional de todos, o Abril pro Rock, que sofrerá modificações em 2010. Quem afirma isto é o produtor Paulo André Pires, que criou o festival em 1993. “Vamos continuar com os dois dias de shows, provavelmente ainda no Chevrolet Hall. Porém durante todo o mês faremos workshops e shows, em outros palcos, não sei ainda onde será”, diz Pires. Ele adianta também que deverá trazer pelo menos três nomes internacionais, mas não do porte de um Motörhead: “Bandas assim levam a maior parte do dinheiro que se tem para gastar com o festival. Não vamos mais ficar refém de grandes bandas. Acho que o Abril de 2010 vai ser muito bom.”
Boatam-se, sem confirmação, de grandes shows internacionais por aqui neste ano. Paulo André Pires comenta que, pelo menos os grupos que têm sido aventados, dificilmente tocarão por aqui: “O primeiro foi o Guns ‘n’ Roses, que não vem. Depois se falou no Megadeth. Porém a banda sai em uma supertunê turnê de thrash metal, com Slayer, Anthrax e Metallica, que deve bombar por onde passar”. Outro nome que caiu nas graças dos comentários online foi o A-Ha, o grupo norueguês que emplacou nos anos 1980 os eternos hits Take on me e Hunting high and low. Chegou até a circular que eles tocariam no Chevrolet Hall no dia 14 de março, depois essa história evaporou no ar. Mistério...
O que de fato não acontece em 2010 é o Porto Musical, produzido pela Astronave, de Paulo André. “Voltaremos a fazer em 2011. Fizemos este ano em junho para coincidir com o São João da Prefeitura, e para que acontecesse meses antes da Feira Música Brasil. Porém em março ou abril já vamos abrir as inscrições para receber propostas de workshops, palestras”, diz Paulo André.
O produtor cai na estrada com os artistas que produz: “DJ Dolores e Mundo Livre S/A, ambos, têm proposta de turnê para os Estados Unidos e Europa. Em 2010, tanto Dolores quanto Mundo Livre vão lançar discos de inéditas. A Mundo livre já tem quatro músicas gravadas.” E por falar em ícones do manguebeat, está confirmado o DVD ao vivo da Nação Zumbi, que foi gravado em dezembro no Marco Zero. Ao contrário do público que estranhou o andamento do show, os músicos afirmam que o material registrado ficou excelente.
Quem também está cheio de planos para 2010 é Helder Aragão, o DJ Dolores: “Bom, primeira coisa: voltar a investir no mercado exterior pesadamente, pois tentei ficar mais no Brasil esse ano e não foi tão interessante”. O músico e produtor já tem confirmado um tour pela América do Norte e uma temporada de mais de um mês na Europa.
“A grande descoberta é que, se eu não viajar para o exterior, não rola viver no Recife. A cidade não me mantém. Meu disco ainda está sem nome. Tem várias sugestões, mas ainda não está fechado. Está em fase de produção e sem nenhum dinheiro público, diga-se de passagem. Tenho projetos ligados à área de artes visuais. Enfim, a agenda esta se formando”. Helder/Dolores ressaltou ainda que seu projeto com Naná Vasconcelos continua, mas não tem disco previsto. “Seria bom, não é?”
Silvério Pessoa deve estreitar a ponte entre Recife e a Occitânia, na França. Um de seus principais projetos do ano é o lançamento do disco que gravou – o projeto Nordeste Occitan com amigos franceses da Fabolous Trobadous (Toulouse) e Nox Vomica (Nice), Massilia Sound System e La Mal Coiffée de Carcassonne. A banda Cascabulho, da qual Silvério Pessoa fez parte na sua primeira formação, planeja a gravação do seu primeiro DVD e quer levar ao palco Tom Zé.
Os novatos, ou não tão novatos assim, também chegam com novos trabalhos: Júnior Black vem com o primeiro álbum, produzido pelo Das Cavernas (leia-se China, Chiquinho do Mombojó e Homero Basílio), o grupo de metal “tropicalista” Ex-Exus também lança seu primeiro trabalho, assim como o power-indie do Sweet Funny Adams. Já a Mombojó faz seu aguardado retorno, após três anos do elogiado álbum Homem-esponja. O ensaio fotográfico desse novo trabalho foi todo realizado pelo Sertão.
Já a Academia da Berlinda estreia a temporada de verão Quartas de Cumbia, no Burburinho, durante todo o mês de janeiro, com convidados a cada semana. E mais: a banda entra em 2010 preparando seu segundo disco intitulado de Cumbia de Olinda e com lançamento previsto para o segundo trimestre.
Com 22 anos de idas e vindas, a banda Cruor começa a gravar o EP Unburied domingo, no novíssimo estúdio de Chimbinha (Banda Calypso). A bolacha terá quatro músicas e é uma prévia do segundo disco, a ser produzido este ano. As composições são assinadas pelos atuais integrantes do quarteto: Wilfred Gadelha (vocal), Túlio Falcão (guitarra), Jairo Neto (baixo, único remanescente da formação original) e Bruno “Bacalhau” Montenegro (bateria). O lançamento deve ocorrer no final de janeiro.
Invasão Canadense
Nem só de Invasão Sueca viverá o Festival No Ar Coquetel Molotov em 2010. “A ideia é trazer artistas canadenses para o festival do próximo ano”, afirma Ana Garcia, uma das integrantes do clã Coquetel Molotov. O coletivo fez uma parceria com o Sesc de São Paulo para trazer para o Brasil, a cada mês, artistas gringos. “Espero que consigamos trazer alguns deles para o Recife também. Este é o nosso plano”, declarou.
O Festival No Ar se consagrou em 2009 como um dos eventos de música mais legais e frescos do Brasil. No entanto, o coletivo que o produz é cauteloso quanto ao futuro – “Não sei se o festival vai crescer em tamanho no próximo ano. Nossa ideia é crescer mais para os lados, aumentar o número de palestras. Ainda não está certo se o Coquetel Molotov vai acontecer novamente no Teatro Guararapes, talvez voltemos para o Teatro da UFPE”, afirma Ana Garcia.
A produtora aponta que uma das atrações do evento, que acontecerá em setembro, pode ser a cantora sueca Lykke Li, que fez um dos discos mais badalados ano passado, o Youth novels, que contou com os hits I’m good, I’m gone e Breaking it up. Lykke li também ficou famosa ao fazer os vocais do sucesso Young folks, do Peter, Bjorn and John (esses aí que tocaram no festival em 2008). Lykke Li deve lançar um novo álbum no primeiro semestre do ano. “Também estou de olho na cantora francesa SoKo (da canção I’ll kill her)”, adiantou a produtora.
De olho no carnaval
Ao contrário do que foi especulado, nada de Orishas para a Sala de Justiça. O grupo, por problemas de agenda, cancelou de última hora seu show. Os produtores estão esperando a confirmação de Manu Chao para suprir a lacuna internacional da festa, mas nada ainda está fechado. Certíssimos estão apenas o grupo Eddie e a cantora Mart’Nalia.
Quem vem com muitas novidades é o Guaiamum Treloso, que este ano acontece, pela primeira vez, numa sexta-feira, no dia 29 de janeiro. A atração principal será Os Titãs. Outro nome confirmado é o show especial Lula Queiroga e convidados. No domingo 31, acontece a versão infantil do bloco, com a participação do grupo Palavra Cantada.
Jornal do Commercio - PE
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